O vereador de Mauá Ivan Gomes, o Batoré (PP), extravasou ontem os seus sentimentos contra o secretário de Governo, José Luiz Cassimiro (PT, foto), homem-forte da administração Oswaldo Dias (PT) e responsável pela articulação entre Executivo e Legislativo. Irritado com a interferência do petista nos trabalhos da Câmara, o progressista deu forte tapa na mesa da presidência (onde estava Cassimiro) e emendou palavrão contra o titular da Pasta.O ato ocorreu durante interrupção na última sessão do ano, provocada justamente pela chegada do secretário, que tentou convencer a base de sustentação a colocar em votação seis projetos de lei enviados pela Prefeitura ao Parlamento instantes antes do xingamento - entre eles, um que autoriza a doação de seis terrenos (cinco no Jardim Kennedy e um na Vila Magini) para receber obras do Programa Minha Casa, Minha Vida.
Sem tempo para analisar as matérias, Batoré e o tucano Edimar da Reciclagem (respectivamente presidente e secretário da Comissão de Cultura da Câmara) se recusaram a emitir parecer.
"É uma falta de respeito. O Zé Luiz vem aqui fazer pressão psicológica, dizendo que temos de votar. Se eu quiser eu voto, se não quiser, não voto. Ele manda lá em cima (Prefeitura), aqui não", esbravejou o progressista, que integra a base governista. "Ele não tem de impor nada aqui. Não recebi 4.778 votos (na eleição de 2008) para uma pessoa chegar aqui e dizer o que tenho de fazer."
O tapa na mesa seguido do xingamento causaram perplexidade nos vereadores. Todos acompanharam a cena incrédulos e estáticos, enquanto Batoré retornava para a sua cadeira. Mesmo contrariado, José Luiz Cassimiro deixou o plenário sem comentar o assunto.
Diante do impasse, os seis projetos não foram incluídos na pauta de votação e a Câmara corre o risco de, a mando do prefeito, ter de levantar recesso na semana que vem para analisá-los.
QUEBRA DE DECORO
Pela ação, Batoré poderia ser alvo de processo de cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar. O regimento interno do Legislativo versa, em seu artigo 66, que a Câmara poderá deflagrar o processo quando o vereador proceder de modo incompatível com a dignidade da Casa.
A possibilidade, contudo, foi descartada pelo presidente da Câmara, Rogério Santana (PT). Apesar de o fato ter ocorrido a centímetros de onde estava, o mandatário disse não ter ouvido o xingamento, que foi escutado até por quem estava nas extremidades do plenário.
"Só ouvi a onomatopeia criada pela mão batendo na mesa. Portanto, não houve quebra de decoro, apenas uma deselegância. Acho que não tem nada de anormal nesta situação", considerou o petista.
Na tribuna, Batoré se desculpou com os colegas, mas reforçou o ataque a Cassimiro. "O tapa tinha de ser dado na mesa dele e para quebrar as quatro pernas." Mais tarde, disse ter extravasado em virtude do "coronelismo" do secretário. "Tem político que coloca esse rótulo acima do de homem", concluiu.
(Foto: ABC Repórter)
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